9.12.16

Outono...



Como que por magia,
as folhas iluminam-se.
       Uma vontade suprema
       arranca-as dos troncos…
                   
Numa chuva de ouro,
                   aninham-se nos braços da terra mãe
                                                          e adormecem para sempre…


António Pereira
Foto tirada na horta ao findo do dia.

4.6.15

Ela e eu...



Deslizando na luz que escorria

                                                             rua

                                                                     abaixo,

lá fomos,

                ela e eu,

                lado a lado,

                duas sombras cúmplices

                                                                  e sem destino...

 

António Pereira
Foto tirada em Azeitão no final de uma manhã quente e luminosa.

20.5.15

Metáfora de fogo...


Como uma metáfora de fogo,
as flores acendem-se
e são estrelas no azul seco do céu...

Impaciente,
fecho os olhos
                          e
                              sinto no palato a memória
                                                                      da doçura
                                                                           dos frutos
                                                                                          maduros…


António Pereira
Foto tirada ao fundo da horta esta manhã.

8.3.15

Tenho flores para ti, meu amor!

 
Parecia ser um dia como os outros…
Mas não era!
Quando abriguei as tuas mãos entre as minhas
e mergulhei no fundo
                                          dos
                                                teus
                                                       olhos,
soube, logo ali, que eras tu...
                                                         a mulher da minha vida!

António Pereira
Foto: tirada num recanto do jardim do meu amor ;)


5.3.15

Renova-se a esperança!

 
Cansadas do longo inverno,
as plantas reerguem-se,
                                  altivas,
                                  com pétalas de primavera precoce…

Como um inseto, perco-me em cores suaves e aromas doces
e sonho com néctares únicos…
 
Sem avisar, a esperança entra de mansinho
                                                  na colmeia da minha vida!

 
António Pereira
 
Nota: Foto tirada há pouco na horta (pessegueiro em flor).

16.12.14

Preso em mim...



Preso em mim,
perdido nos labirintos da vida,
                                                     espero e desespero

Invejo todos os seres alados:
                                       condores, gaivotas, insetos…

E tenho saudades das asas que nunca tive!

 
António Pereira
Nota: Foto tirada na horta num feijoeiro.

12.12.14

.Cai a noite em Lisboa...



Quando o dia se perde na noite,
                       o Tejo, feliz e apaixonado,
                                        entra na vastidão do oceano

A ponte, no alto dos seus pilares frios,
                                                                  enternece-se

No horizonte, o sol apaga-se lentamente
                                                                       e adormece…

Lisboa,
         como uma fadista castiça,
                           veste-se de negro e de magia!

 
António Pereira
P.s. Foto tirada ontem a partir de um autocarro (ônibus) sobre a Ponte 25 Abril. 

2.12.14

Outono...


Discreto, o outono instala-se…
Como um pintor diletante,
                               aqui e ali,
                                         marca a tela da natureza
                                                                    com pinceladas
                                                                                               de ouro
                                                                                                e cobre.

Os ramos,
                  embalados pela dança efémera das folhas,
                                                             mergulham num sono profundo...

Despertarão um dia, confiantes no futuro!


                            
António Pereira

13.11.14

.Há uma rainha no meu jardim!

 
Observo-a…

Dentro do seu vestido verde
bate, feliz,
                um coração vermelho.

Na sua coroa frágil, é a rainha do meu jardim!

Triste,
       antevejo o momento em que a minha mão,
             trémula e cruel,
                    irá arrancá-la do trono que a natureza lhe deu…

António Pereira


31.12.13

Magia de um momento...


Imagem colhida há pouco, entre duas chuvadas, na horta...
 
Como um espelho mágico,
                                       feita de chuva,
                                                           uma gota
                                                                       emerge...
beleza,
magia,
delicadeza,
perfeição,
emoção…

Tudo criado e perdido
num momento dolorosamente efémero
                                                                 e
                                                                  sem futuro!
 
António Pereira

22.8.13

Renascer!

Foto tirada há pouco...


A noite nasceu fria
e,
como uma viúva consumida pelo desgosto,
vestiu-se de negro…

Inconformada, a lua roubou a luz ao sol
e
devolveu a Esperança à humanidade!

 

António Pereira

26.7.13

.A tragédia de Aónio...

Foto obtida na ilha de Tavira, sul de Portugal (Algarve)

O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...

O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:

- Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.

Luís de Camões

24.6.13

.À morte de um amigo querido...

A animar um seminário na escola onde lecionou durante mais de 2o anos: A Ferreira Dias no Cacém.


Crendo que o caminho não tem fim,
seguimos confiantes e incautos…
A morte, dissimulada, segue-nos…
Quando menos esperamos,
manhosa, leva-nos no seu manto de trevas!

É a vida, dizem todos.

Encontrar-nos-emos nesse tempo sem tempo
e, numa nuvem que esteja livre,
partilharemos o alimento dos deuses:
uma dose de ambrósia bem regada com néctar!

 Até lá,
 Amigo Fernando Carita.


António Pereira


11.6.13

ASAS DE VENTO...

Foto tirada em Olhão, Algarve, ao fim da manhã.

 
Com asas de vento,
a ave voava, veloz…

 
Vi-a e ela viu-me…

 
O meu coração,
vívido,
voou com ela
e
chegou ao céu!
 

António Pereira






 

1.6.13

A estrada da vida...

Foto tirada no sul de Portugal (Escoural, Montemor-o-Novo).
 
 
Como a vida,
Os caminhos são tortuosos…
Os sonhos têm fim…
O tempo esvai-se, segundo após segundo…
 
 
Como a vida,
a estrada parece não ter fim,
mas estreita-se continuamente…
 
 
Resta o desconhecido,
fica o mistério do que há para além do fim do caminho…
 
 
 
António Pereira


28.5.13

Apenas ilusão...

Foto tirada no sul de Portugal (Alentejo - Barrancos)
 
 
Como um gigante feito de sombra,
projetei-me na planície ressequida…

Com o sol aninhado no horizonte,
perdi-me sob o manto negro da noite
e a ilusão desfez-se...
 
É assim a vida:
                           Tudo num momento, nada logo a seguir…
 
António Pereira


14.5.13

.Caminho prà liberdade!

A lagarta voltou para a horta...
 
Como um soldado, patrulha o seu território…
A folha, suculenta, aguça-lhe o apetite voraz.
Rasteja naquela mancha verde,
indiferente ao tempo que passa…
Não tem projetos
e
espera apenas que o destino se cumpra:
Um dia, terá as suas asas coloridas
e
levantará voo em direção à felicidade!
 
É assim a liberdade:
                                   frágil,
                                               essencial,
                                                               única!
 
António Pereira
                                      


5.5.13

.Resta a solidão...

Foto tirada hoje ao fim da tarde
 
 
Ver a casa em ruínas
entristeceu-me o coração…

Fechei os olhos,
constrangido,
e,
como um arqueólogo de sentimentos,
reconstituí a vida que ali houve:
a alegria de outros tempos,
os risos perdidos na memória,
as lágrimas choradas há muito…
 
Abro os olhos: 
resta apenas a solidão das pedras
engolidas pela vegetação impiedosa…
 
António Pereira


2.5.13

.Tenho a alma cativa...

Foto colhida no campo perto de minha casa

Os meus olhos deslizavam, livres, na paisagem,
registando momentos, aqui e ali…
Exuberantes, os aromas doces envolviam-me…
Perdi-me nos cantos sedutores das aves…

As cores e as formas diluíram-se e,
sem aviso,
o fogo éfemero de uma papoila,
como uma impressão fugidia,
aprisionou-me a alma...

Fiquei para sempre cativo!

 
 
António Pereira

30.4.13

.Vontade de ser feliz!

Mais um milagre da natureza no meu jardim...
 
Estica o pescoço
e finge ser ave exótica…
 
Exibe o bico e a crista
e
enche-se de cores vistosas…
 
Tem um desejo que lhe preenche os dias:
Vestir as asas do sonho
e
voar para uma floresta distante.
 
 
Loucura de estrelícia?
Não… Apenas a vontade de ser feliz!
António Pereira