2.12.14

Outono...


Discreto, o outono instala-se…
Como um pintor diletante,
                               aqui e ali,
                                         marca a tela da natureza
                                                                    com pinceladas
                                                                                               de ouro
                                                                                                e cobre.

Os ramos,
                  embalados pela dança efémera das folhas,
                                                             mergulham num sono profundo...

Despertarão um dia, confiantes no futuro!


                            
António Pereira

13.11.14

.Há uma rainha no meu jardim!

 
Observo-a…

Dentro do seu vestido verde
bate, feliz,
                um coração vermelho.

Na sua coroa frágil, é a rainha do meu jardim!

Triste,
       antevejo o momento em que a minha mão,
             trémula e cruel,
                    irá arrancá-la do trono que a natureza lhe deu…

António Pereira


31.12.13

Magia de um momento...


Imagem colhida há pouco, entre duas chuvadas, na horta...
 
Como um espelho mágico,
                                       feita de chuva,
                                                           uma gota
                                                                       emerge...
beleza,
magia,
delicadeza,
perfeição,
emoção…

Tudo criado e perdido
num momento dolorosamente efémero
                                                                 e
                                                                  sem futuro!
 
António Pereira

22.8.13

Renascer!

Foto tirada há pouco...


A noite nasceu fria
e,
como uma viúva consumida pelo desgosto,
vestiu-se de negro…

Inconformada, a lua roubou a luz ao sol
e
devolveu a Esperança à humanidade!

 

António Pereira

26.7.13

.A tragédia de Aónio...

Foto obtida na ilha de Tavira, sul de Portugal (Algarve)

O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...

O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:

- Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.

Luís de Camões

24.6.13

.À morte de um amigo querido...

A animar um seminário na escola onde lecionou durante mais de 2o anos: A Ferreira Dias no Cacém.


Crendo que o caminho não tem fim,
seguimos confiantes e incautos…
A morte, dissimulada, segue-nos…
Quando menos esperamos,
manhosa, leva-nos no seu manto de trevas!

É a vida, dizem todos.

Encontrar-nos-emos nesse tempo sem tempo
e, numa nuvem que esteja livre,
partilharemos o alimento dos deuses:
uma dose de ambrósia bem regada com néctar!

 Até lá,
 Amigo Fernando Carita.


António Pereira


11.6.13

ASAS DE VENTO...

Foto tirada em Olhão, Algarve, ao fim da manhã.

 
Com asas de vento,
a ave voava, veloz…

 
Vi-a e ela viu-me…

 
O meu coração,
vívido,
voou com ela
e
chegou ao céu!
 

António Pereira