24.6.13

.À morte de um amigo querido...

A animar um seminário na escola onde lecionou durante mais de 2o anos: A Ferreira Dias no Cacém.


Crendo que o caminho não tem fim,
seguimos confiantes e incautos…
A morte, dissimulada, segue-nos…
Quando menos esperamos,
manhosa, leva-nos no seu manto de trevas!

É a vida, dizem todos.

Encontrar-nos-emos nesse tempo sem tempo
e, numa nuvem que esteja livre,
partilharemos o alimento dos deuses:
uma dose de ambrósia bem regada com néctar!

 Até lá,
 Amigo Fernando Carita.


António Pereira


11.6.13

ASAS DE VENTO...

Foto tirada em Olhão, Algarve, ao fim da manhã.

 
Com asas de vento,
a ave voava, veloz…

 
Vi-a e ela viu-me…

 
O meu coração,
vívido,
voou com ela
e
chegou ao céu!
 

António Pereira






 

1.6.13

A estrada da vida...

Foto tirada no sul de Portugal (Escoural, Montemor-o-Novo).
 
 
Como a vida,
Os caminhos são tortuosos…
Os sonhos têm fim…
O tempo esvai-se, segundo após segundo…
 
 
Como a vida,
a estrada parece não ter fim,
mas estreita-se continuamente…
 
 
Resta o desconhecido,
fica o mistério do que há para além do fim do caminho…
 
 
 
António Pereira


28.5.13

Apenas ilusão...

Foto tirada no sul de Portugal (Alentejo - Barrancos)
 
 
Como um gigante feito de sombra,
projetei-me na planície ressequida…

Com o sol aninhado no horizonte,
perdi-me sob o manto negro da noite
e a ilusão desfez-se...
 
É assim a vida:
                           Tudo num momento, nada logo a seguir…
 
António Pereira


14.5.13

.Caminho prà liberdade!

A lagarta voltou para a horta...
 
Como um soldado, patrulha o seu território…
A folha, suculenta, aguça-lhe o apetite voraz.
Rasteja naquela mancha verde,
indiferente ao tempo que passa…
Não tem projetos
e
espera apenas que o destino se cumpra:
Um dia, terá as suas asas coloridas
e
levantará voo em direção à felicidade!
 
É assim a liberdade:
                                   frágil,
                                               essencial,
                                                               única!
 
António Pereira
                                      


5.5.13

.Resta a solidão...

Foto tirada hoje ao fim da tarde
 
 
Ver a casa em ruínas
entristeceu-me o coração…

Fechei os olhos,
constrangido,
e,
como um arqueólogo de sentimentos,
reconstituí a vida que ali houve:
a alegria de outros tempos,
os risos perdidos na memória,
as lágrimas choradas há muito…
 
Abro os olhos: 
resta apenas a solidão das pedras
engolidas pela vegetação impiedosa…
 
António Pereira


2.5.13

.Tenho a alma cativa...

Foto colhida no campo perto de minha casa

Os meus olhos deslizavam, livres, na paisagem,
registando momentos, aqui e ali…
Exuberantes, os aromas doces envolviam-me…
Perdi-me nos cantos sedutores das aves…

As cores e as formas diluíram-se e,
sem aviso,
o fogo éfemero de uma papoila,
como uma impressão fugidia,
aprisionou-me a alma...

Fiquei para sempre cativo!

 
 
António Pereira