22.8.13

Renascer!

Foto tirada há pouco...


A noite nasceu fria
e,
como uma viúva consumida pelo desgosto,
vestiu-se de negro…

Inconformada, a lua roubou a luz ao sol
e
devolveu a Esperança à humanidade!

 

António Pereira

26.7.13

.A tragédia de Aónio...

Foto obtida na ilha de Tavira, sul de Portugal (Algarve)

O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...

O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:

- Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.

Luís de Camões

24.6.13

.À morte de um amigo querido...

A animar um seminário na escola onde lecionou durante mais de 2o anos: A Ferreira Dias no Cacém.


Crendo que o caminho não tem fim,
seguimos confiantes e incautos…
A morte, dissimulada, segue-nos…
Quando menos esperamos,
manhosa, leva-nos no seu manto de trevas!

É a vida, dizem todos.

Encontrar-nos-emos nesse tempo sem tempo
e, numa nuvem que esteja livre,
partilharemos o alimento dos deuses:
uma dose de ambrósia bem regada com néctar!

 Até lá,
 Amigo Fernando Carita.


António Pereira


11.6.13

ASAS DE VENTO...

Foto tirada em Olhão, Algarve, ao fim da manhã.

 
Com asas de vento,
a ave voava, veloz…

 
Vi-a e ela viu-me…

 
O meu coração,
vívido,
voou com ela
e
chegou ao céu!
 

António Pereira






 

1.6.13

A estrada da vida...

Foto tirada no sul de Portugal (Escoural, Montemor-o-Novo).
 
 
Como a vida,
Os caminhos são tortuosos…
Os sonhos têm fim…
O tempo esvai-se, segundo após segundo…
 
 
Como a vida,
a estrada parece não ter fim,
mas estreita-se continuamente…
 
 
Resta o desconhecido,
fica o mistério do que há para além do fim do caminho…
 
 
 
António Pereira


28.5.13

Apenas ilusão...

Foto tirada no sul de Portugal (Alentejo - Barrancos)
 
 
Como um gigante feito de sombra,
projetei-me na planície ressequida…

Com o sol aninhado no horizonte,
perdi-me sob o manto negro da noite
e a ilusão desfez-se...
 
É assim a vida:
                           Tudo num momento, nada logo a seguir…
 
António Pereira


14.5.13

.Caminho prà liberdade!

A lagarta voltou para a horta...
 
Como um soldado, patrulha o seu território…
A folha, suculenta, aguça-lhe o apetite voraz.
Rasteja naquela mancha verde,
indiferente ao tempo que passa…
Não tem projetos
e
espera apenas que o destino se cumpra:
Um dia, terá as suas asas coloridas
e
levantará voo em direção à felicidade!
 
É assim a liberdade:
                                   frágil,
                                               essencial,
                                                               única!
 
António Pereira